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Acordo fora da Justiça: como fazer para ter validade

Um acordo bem escrito resolve o conflito e evita anos de processo. Mal escrito, vira nova briga. Veja como dar força de título executivo ao acordo, quando homologar na Justiça e os cuidados em casos de família e trabalho.

PDr. Paulo Jorge Braga PinheiroOAB/PI 24.9693 min de leitura
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Trilha Família: separação, filhos e acordos · parte 4 de 4ver a trilha

Neste artigo
  1. O que o acordo precisa ter
  2. Como dar força de título executivo
  3. Quando pedir a homologação do juiz
  4. Casos com regras próprias
  5. Se a outra parte descumprir
  6. Perguntas frequentes

Resumo em 30 segundos

Um acordo escrito, assinado pelo devedor e por duas testemunhas, ou referendado pelos advogados das partes, vale como título executivo: se for descumprido, pode ser cobrado direto na Justiça, sem nova discussão. Se for homologado pelo juiz, ganha força de sentença. Acordos com filhos menores e acordos trabalhistas têm regras próprias.

Resolver um conflito com um aperto de mão é bom. Resolver com um documento que se cumpre sozinho é melhor. O acordo extrajudicial, feito fora de um processo, pode ter a mesma força de uma decisão judicial, desde que seja feito do jeito certo.

O que o acordo precisa ter

Quanto mais claro, menos espaço para outra briga. Evite expressões como "o valor combinado" ou "em breve".

Como dar força de título executivo

Um permite cobrar direto, sem discutir de novo se a dívida existe. O acordo extrajudicial ganha essa força quando é (CPC, art. 784):

  • documento particular assinado pelo devedor e por duas testemunhas; ou
  • transação referendada pelo Ministério Público, pela Defensoria Pública, pelos advogados das partes ou por conciliador ou mediador credenciado.

O termo final de uma mediação também é título executivo extrajudicial (Lei 13.140/2015, art. 20).

Quando pedir a homologação do juiz

Qualquer acordo extrajudicial pode ser levado ao juiz para homologação (CPC, art. 725, VIII). Homologado, ele passa a ser título executivo judicial, com força de sentença (art. 515, III), e fica mais difícil de ser questionado depois.

Vale homologar, por exemplo, quando:

  • o valor é alto ou o pagamento é longo;
  • há bens envolvidos, como imóveis ou veículos;
  • uma das partes pode tentar anular o acordo depois;
  • a lei exige, como nos casos abaixo.

Casos com regras próprias

  • Família com filhos menores: guarda, convivência e pensão envolvem interesse da criança. O acordo passa pelo Ministério Público e pelo juiz, ou pelo cartório nas hipóteses que as normas permitem. Veja o divórcio passo a passo.
  • Trabalhista: o acordo entre empresa e empregado pode ser homologado na Justiça do Trabalho, com advogados diferentes para cada parte (CLT, art. 855-B). O juiz pode recusar a se o acordo prejudicar o trabalhador.
  • Consumidor e bancos: acordos feitos em plataformas como o Consumidor.gov.br ou em judicial seguem as regras da plataforma ou do juízo.

Se a outra parte descumprir

  1. Reúna o acordo assinado e os comprovantes do que foi e do que não foi cumprido.
  2. Envie uma notificação formal, dando prazo para cumprir.
  3. Sem resposta, entre com execução na Justiça, cobrando o valor, a multa prevista e a correção.

Perguntas frequentes

Acordo por WhatsApp vale?

Pode valer como prova do combinado, mas dificilmente terá força de título executivo. Para cobrar sem discussão, formalize em documento assinado.

Posso desistir depois de assinar?

Em regra, não. O acordo só pode ser anulado em situações como erro, coação ou fraude.

Vale fazer mediação antes do acordo?

Muitas vezes, sim: o acordo construído com ajuda de um mediador costuma ser mais completo e mais cumprido. Veja como funciona a mediação.

Quer ver o tema em detalhes, com ferramentas e perguntas frequentes? Saiba mais sobre mediação e acordos.

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Quem escreve

Dr. Paulo Jorge Braga Pinheiro

Advogado fundador · OAB/PI 24.969

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Respostas do escritório são informativas e não substituem a análise do seu caso.

Conteúdo informativo, atualizado em 12 de outubro de 2026. As regras citadas podem mudar e cada caso tem particularidades. Este texto não substitui a análise individual por um advogado.